É preciso transver o mundo: um olhar lúdico
A ludicidade está em tudo
Na última aula fomos novamente convidados a pensar fora da caixinha, a repensar conceitos e (des)construir paradigmas. Após a conversação em torno dos frameworks, o professor Fernando nos convidou a pensarmos na última vez que brincamos, seja de forma individual ou com alguma companhia. Um exercício interessante para introduzir o tema de ludicidade.
Passamos boa parte do tempo, enquanto pedagogos(as), ouvindo frases como "tem que ter ludicidade para que a criança aprenda melhor", "criança precisa brincar", "é preciso usar o lúdico na prática educativa", dentre tantas outras que reforçam a importância do lúdico no processo de ensino e de aprendizagem e que fortalecem a ideia de que o lúdico só está presente onde há jogos e brincadeiras. Será? Esse é o desafio de estudos da semana: entender o que é ludicidade e como ela interage com as tecnologias.
Voltando ao exercício proposto por Fernando sobre a última vez em que brincamos: partilhei com ele a última vez que joguei (na casa de uns amigos, após jantar, fomos jogar vídeo game), e ele me confidenciou que tinha jogado no dia anterior quando estava montando o quebra-cabeças para a dinâmica da aula. Logo em seguida falou: a ludicidade está em tudo, você vai entender! (Foi mais ou menos assim, ou minha mente recriou os fragmentos kkk). Mas o que realmente interesse é que essa foi a frase que caminhou comigo essa semana e que tem conduzido meus estudos em busca do verdadeiro sentido de ludicidade.
- Fonte: Gemini. Prompt: gemini, cria uma imagem que represente ludicidade, compreendendo-a a partir do teórico Cipriano Luckesi.
"O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo." - Manoel de Barros
Para quem viu/leu um dos meus posts anteriores sabe o amor que tenho por Manoel de Barros. Para mim, ele é um poço de sensibilidade e me identifico muito com sua maneira de enxergar a "grandeza do ínfimo". Todos os dias me pego pensando sobre essa necessidade de transver o mundo, de enxergar e perceber a vida com outros olhos, com mais sensibilidade (apesar de ela doer, como diz Lispector). Transver o mundo é enxergar pelos olhos de uma criança, é ter compaixão pela dor e sofrimento do outro, é afastar a crueldade mesmo ela estando dia a dia mais fortalecida; é acreditar em dias melhores, na colheita dos sonhos...
Já parou para pensar no quão estranho é ouvir e pensar que precisamos educar o ser humano a ser humano? É preciso transver o mundo, como disse meu querido poeta. É preciso!
É preciso transver os mundos!
Encerro minhas reflexões pensando em como a ludicidade nos ajuda a transver o mundo e a não desistir dos nossos sonhos. A adulta que sou continua realizando os sonhos da criança que habita em mim desde sempre (escrevi um conto sobre esse encontro, desencontro e desconforto da criança interior com o adulto exterior. Quem sabe um dia publique!).
Essa imagem me representa como criança interiorana que veio em busca de seus sonhos na "cidade grande".

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