Tecnologia e técnica: um olhar para o processo de ensino e aprendizagem

TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO - PRIMEIROS PASSOS (AULA 1)

   Inicio este relato a partir de uma curiosidade pessoal, inspirada por uma das provocações iniciais da primeira aula da Pós-Graduação/Mestrado, na disciplina Tecnologias Digitais no Ensino (TDE). Sou uma apreciadora da literatura e arrisco-me a escrever poesia, especialmente, quando meu “copo está vazio” (referência à dinâmica realizada durante a aula).

    Assim, compartilho aqui um desses rabiscos poéticos, que dialoga com as reflexões que surgiram em mim ao longo do encontro e que continuaram ecoando mesmo após o seu término.

PASSOS
 
 A passos lentos 
 caminho suavemente 
 sentindo os detalhes da vida… 

 A passos rápidos 
 me dispo do poderio 
 do tempo, 
 da dádiva do dia, 
 dos seres que me tocam… 

 Com passos vagarosos 
 me despeço da vida 
 sem antes ter beijado a morte! 

 A passos… 
 Há passos!! 
 Ouça! 

 Há passos de vida 
 pulsando forte 
 em e entre nós! 
 Na tentativa de sobreviver 
 A loucura do tempo 
 que se finda ferozmente… 

 Mas ainda 
 Há passos 
 Há vida 
 Há… 

 Ouça! 

Larissa Alves

    Todo primeiro passo em direção a algo novo costuma provocar inquietações. Foi assim o primeiro passo dado por mim no Mestrado, na primeira aula da disciplina Tecnologias Digitais no Ensino (TDE). Desde o início do encontro, o professor Fernando Pimentel nos instigou a pensar “fora da caixinha”. No entanto, foi durante o debate central que as inquietações se intensificaram, quando fomos provocados a refletir sobre o tema: “O que é tecnologia?”, considerando o contexto da cultura digital no chão da sala de aula.    

    Nesse momento, fomos convidados a desconstruir concepções previamente estabelecidas e a pensar para além daquilo que acreditávamos saber sobre tecnologia. A proposta era sair do campo do senso comum e das percepções subjetivas para compreender, de forma mais fundamentada, a distinção entre tecnologia e técnica, despindo-nos de pré-conceitos anteriormente formulados. De forma resumida, entende-se tecnologia como um conjunto de conhecimentos científicos, conceitos e teorias, constituindo-se como um artefato cultural e histórico da humanidade que, ao mesmo tempo em que transforma o mundo, também é transformado por ele. A técnica, por sua vez, refere-se ao procedimento, ao modo de fazer e ao ato produtivo propriamente dito.

    Diante dessa distinção, surge um questionamento fundamental: por que é importante compreender o conceito de tecnologia no contexto do processo de ensino e aprendizagem? Levando-nos a "ouvir e enxergar novos passos (referência ao poema)" frente a prática educativa, uma vez que aprofundar conhecimentos (sair da zona de conforto) nos faz pensar e repensar técnicas/modo de fazer com base nas teorias comprovadas cientificamente ao redor do mundo.

    Ao destacar a necessidade de estudarmos para além do que vem sendo produzido cientificamente no Brasil, o professor Fernando Pimentel levou-me a refletir sobre a importância de compreender as teorias que fundamentam a fase da alfabetização, bem como as práticas pedagógicas, os métodos, as metodologias e os recursos utilizados em diferentes países para promover uma alfabetização mais eficaz. Diante disso, diversas questões surgiram: por onde começar? Quais métodos e metodologias são mais adequados? Quais recursos tecnológicos podem potencializar o processo de aprendizagem? Como alfabetizar garantindo que a criança desenvolva habilidades essenciais, como a fluência na leitura, a compreensão textual e o pensamento crítico? Qual é, nesse processo, o papel dos professores alfabetizadores? E de que maneira as diferentes tecnologias podem ser utilizadas em favor do ensino e da aprendizagem no campo da alfabetização? É preciso dominar a técnica do ensino para favorecer a aprendizagem, mas qual?

    Ao final da aula, saí refletindo sobre muitos aspectos que ainda preciso desmistificar, “esvaziar o copo”, para compreender, de forma mais aprofundada, o que a ciência cognitiva da leitura e a neurociência têm apontado como fundamental para o desenvolvimento da consciência fonológica e para o processo de aquisição da leitura.

Mas ainda 
Há passos 
Há vida 
Há… 

Ouça! 

Ouvir passos, nesse contexto, é esvaziar o copo para adquirir novos conhecimentos.

Comentários

  1. Olá Larissa! Seu relato é muito sensível e criativo ao iniciar com um poema que dialoga com as inquietações despertadas pela aula. A metáfora dos “passos” conversa de forma bonita com a ideia de percurso formativo no mestrado e com a proposta de “esvaziar o copo” para abrir espaço a novas compreensões. É interessante perceber como você conecta a reflexão teórica sobre técnica e tecnologia com suas próprias perguntas sobre alfabetização, métodos de ensino e o papel das tecnologias no processo de aprendizagem. Esse movimento de transformar inquietações em perguntas de pesquisa é um passo importante no caminho acadêmico.
    Para enriquecer ainda mais essa caminhada, vale a pena visitar os blogs dos colegas e comentar as reflexões deles, observando como cada um está interpretando a aula, os textos e as provocações da disciplina. Muitas vezes, ao ler o percurso intelectual do outro, conseguimos perceber novos “passos” possíveis também para nossa própria pesquisa.
    E deixo uma provocação para continuar seu percurso reflexivo: se “ouvir os passos” significa esvaziar o copo para aprender, como as teorias da ciência cognitiva da leitura e da alfabetização podem dialogar criticamente com as tecnologias digitais para produzir práticas pedagógicas realmente transformadoras no processo de alfabetização?

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  2. Olá Larissa. Estamos sentido falta de suas postagens em seu blog. O que aprendeu em nossa última aula? Fez o infográfico solicitado?

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