Linha do tempo: incorporação das tecnologias no ensino brasileiro
Tecnologias Digitais no Ensino: possibilidades e limites
A incorporação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na educação impactou as práticas de ensino e de aprendizagem ao longo do tempo, desde quando se iniciaram as reflexões sobre a utilização de recursos digitais nos ambientes escolares na década de 1970. De acordo com Coll, Mauri e Onrubia (2010), as TIC possuem um grande potencial para inovar e transformar o ensino, funcionando como instrumentos psicológicos que medeiam os processos de pensamento e interpensamento. No entanto, para que essa melhoria ocorra de forma eficiente, é preciso incorporar as tecnologias no projeto técnico-pedagógico, para que façam parte da mediação no Triângulo Interativo (alunos, professor e conteúdos), uma vez que o acesso aos artefatos digitais por si só não garante a construção de novos conhecimentos. Os autores pontuam que o uso pedagógico deve visar o desenvolvimento de competências digitais que permitam aos alunos não apenas consumir, mas também buscar, selecionar e transformar informações em conhecimento.
Valente e Almeida (2022) apresentam uma linha do tempo sobre a incorporação das Tecnologias Digitais no ensino brasileiro desde a década de 1980, destacando projetos como o EDUCOM, ProInfo e o Um Computador por Aluno (UCA). O cenário da Pandemia de COVID-19 e o consequente Ensino Remoto Emergencial revelaram falhas históricas nessas políticas, mas também deixaram um legado sobre a possibilidade de aprender em múltiplos espaços e tempos. Para o futuro da escola, os autores defendem o uso de metodologias ativas e atividades "mão na massa", nas quais o aluno resolve problemas integrados ao currículo e aos seus interesses, tornando-se protagonista de seu aprendizado por meio da interatividade. Nesse sentido, as transformações educacionais exigem uma ressignificação do currículo, integrando as tecnologias digitais de forma a promover uma cidadania global.
Bonilla e Oliveira (2011), por sua vez, argumentam que a inclusão digital é uma questão fundamental de cidadania e um direito humano básico na sociedade contemporânea. Os autores criticam a visão meramente tecnicista e instrumental que reduz a inclusão ao fornecimento de máquinas ou ao treinamento básico para o mercado de trabalho, o que muitas vezes torna os indivíduos apenas "interagidos" pelo sistema em vez de "interagentes". Para eles, a verdadeira inclusão ocorre por meio da emancipação digital, na qual os sujeitos se apropriam das tecnologias como autores e produtores de ideias e conhecimentos, intervindo de forma crítica e autônoma em sua realidade. Nesse contexto, defendem a importância do software livre e de dinâmicas colaborativas em rede para fortalecer a produção cultural local e a autonomia das comunidades. Eles enfatizam que o desafio da escola não é apenas ter "internet na escola", mas sim colocar as "escolas na internet", garantindo que estas se tornem espaços de criação e não apenas de consumo passivo de informações.
Acesse o link ou QRcode para visitar minha linha do tempo: https://padlet.com/mariaalarissa21/tecnologias-digitais-no-ensino-possibilidades-e-limites-ibf69dzqg4or7495
Veredicto final
Os artigos analisados para a construção da linha do tempo apontam para a necessidade de integrar as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) aos currículos educacionais de forma crítica e contextualizada, compreendendo o currículo como um espaço de disputas, escolhas e intencionalidades políticas que orientam o trabalho docente e as práticas de ensino e aprendizagem. Nessa perspectiva, a simples inserção de artefatos tecnológicos não garante, por si só, a transformação das práticas pedagógicas, sobretudo quando as TIC são reduzidas a instrumentos técnicos desvinculados de reflexões pedagógicas, sociais e culturais. Assim, torna-se imprescindível superar o modelo instrumental e tecnicista das TIC, reconhecendo sua não neutralidade e seu potencial. A integração crítica das tecnologias no ensino requer, portanto, condições estruturais adequadas, políticas de formação e valorização docente, bem como processos avaliativos que considerem os sentidos pedagógicos, éticos e sociais do uso das TIC no contexto educacional, além de promover o pensamento crítico e a alfabetização digital.
Referências
COLL, C.; MAURI, T.; ONRUBIA, J. A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso. In: COLL, C.; MONEREO, C. (Org.). Psicologia da Educação Virtual.Porto Alegre: Artmed, 2010. p. 66–93.
VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.
BONILLA, M. H. S.; OLIVEIRA, P. C. S. Inclusão digital: ambiguidades em curso. In: BONILLA, Maria Helena Silveira; PRETTO, Nelson De Luca (org.). Inclusão digital: polêmica contemporânea. Salvador: EDUFBA, 2011. p. 15-36. Disponível em: https://static.scielo.org/scielobooks/qfgmr/pdf/bonilla-9788523212063.pdf.
VALENTE, J. A.; ALMEIDA, M. E. B. Tecnologias e educação: legado das experiências da pandemia COVID-19 para o futuro da escola. Panorama Setorial da Internet, São Paulo, ano 14, n. 2, jun. 2022. Disponível em: https://cetic.br/media/docs/publicacoes/6/20220725145804/psi-ano-14-n-2-tecnologias-digitais-tendencias-atuais-futuro-educacao.pdf.

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