Autoavaliação: ressignificação de trajetórias

 Olhar para si é um movimento de descoberta

    Em outros posts anteriores falei um pouco sobre como tem sido desafiador esse início do mestrado. A disciplina de Tecnologias Digitais no Ensino tem me tirado da caixinha e me sacudido semanalmente. Sim, apesar das dificuldades que tenho tido para realizar as leituras, muitas delas densas, com conceitos que tive o primeiro contato somente agora, considero que tenho avançado de forma positiva na compreensão e entendimento dos fundamentos teóricos da disciplina.
    
    Os estudos e leituras realizadas têm modificado minha maneira de pensar sobre Tecnologia (ciência que embasa a técnica), bem como sobre a incorporação (e não uso) dos artefatos digitais no ensino, compreendendo suas possibilidades e limitações na promoção de um ensino crítico, consciente e colaborativo. Compreender que as tecnologias digitais devem ser aliadas dos docentes em suas práticas faz muita diferença, uma vez que temos, no senso comum, uma construção ideológica de instrumentalização e reducionismo das potencialidades destas tecnologias em contexto educacional.

    O que tem me chamado a atenção é que as problemáticas parecem ser as mesmas desde o início da incorporação das tecnologias no contexto educacional: infraestrutura, formação de professores, uso instrumental dos artefatos digitais... e as leituras tem nos feito pensar e problematizar o porque disso acontecer mesmo após tantos anos e com um processo de transformação social contínuo e constante.

    Acredito que ainda preciso me aprofundar nas leituras, para me apropriar das pontencialidades das tecnologias digitais, do seu poder de transformação e das possibilidades efetivas de incorporação em contextos escolares. Como tornar as tecnologias digitais em aliadas na prática docente? Tornando-a mediadora no processo de ensino e de aprendizagem, não apenas como um suporte mas como um auxílio na construção de novos saberes e conhecimentos, no trabalho colaborativo, nas mudanças pedagógicas.

    Nem sempre me sinto preparada para a dinâmica do PBL. Tenho procurado estabelecer relações concretas entre os problemas propostos e as evidências científicas. Não é um processo simples, tem sido bastante complexo. Em alguns momentos me sinto mais como uma consumidora de conteúdo do que uma problematizadora, ainda que tenha consciência da importância dessa ação para quem se compromete a ser um(a) pesquisador(a). Tenho muito a construir e ressignificar em minha trajetória enquanto mestranda e pesquisadora, e estes passos serão dados a partir das inquietações que tem surgido através das leituras e das aulas.

    Penso que ainda é preciso ser mais ativa e participativa nas discussões dentro e fora do blog. É uma característica que pretendo adquirir na segunda metade da disciplina. Partilhar dúvidas, questionamentos e conhecimentos faz parte de um crescimento concreto e possível.


Deixo aqui uma inquietude em forma de verso:

Talvez… 
Talvez minha maior loucura 
Seja cultivar sonhos 
Em meu peito 
Enquanto a vida tenta 
Calejar-me com as (des)ilusões.

Larissa Alves  

O mestrado é a loucura de um sonho cultivado.

Comentários

  1. Oi, Larissa. Sua autoavaliação revela um percurso muito significativo de amadurecimento, especialmente ao compreender as tecnologias digitais para além de um uso meramente instrumental, com intencionalidade pedagógica. É muito potente a forma como você reconhece a permanência de desafios históricos, como a formação docente e a infraestrutura, demonstrando um olhar atento e crítico. A sua honestidade ao reconhecer as próprias dificuldades, especialmente no PBL, mostra sensibilidade e compromisso com sua formação, o que torna seu processo ainda mais significativo. Que você continue avançando na loucura de sonhos cultivados!

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