Problema 4 - Fundamentos teóricos das tecnologias digitais
Incorporação de tecnologias no ensino
Para a construção do Diagrama de Ishikawa, foi necessário aprofundar-se em diferentes bases teóricas com o objetivo de compreender de que maneira as tecnologias digitais vêm sendo incorporadas ao ensino. A partir da leitura de Coll e Monereo (2010), compreende-se que as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) exercem um impacto concreto no ensino formal; contudo, a revolução pedagógica que se esperava como consequência desse impacto ainda não se materializou plenamente nas práticas de sala de aula. Diante desse cenário, emerge o questionamento acerca de quais são, de fato, os impactos reais das TICs no ensino e por que a utilização das tecnologias digitais ainda não promoveu a transformação educacional amplamente esperada pelas instituições de ensino.
Ao aprofundar a análise nos estudos sobre a temática, observa-se a existência de um descompasso entre o potencial inovador atribuído às TICs e sua utilização cotidiana no contexto escolar (Coll; Monereo, 2010). Embora tenha havido um aumento significativo no acesso às tecnologias e aos equipamentos digitais, a integração desses recursos às práticas pedagógicas ainda se mostra limitada, sendo frequentemente utilizada para reforçar métodos tradicionais de transmissão de informações, em vez de transformá-los ou inová-los. Para os autores, ancorados na teoria vygotskiana, as TICs não devem ser compreendidas apenas como ferramentas técnicas, mas como instrumentos psicológicos mediadores, capazes de transformar os processos de pensamento e desencadear novas formas de representação e processamento da informação. Nessa perspectiva, o impacto educacional das tecnologias não depende exclusivamente de sua presença, mas de sua efetiva integração às atividades desenvolvidas pelos sujeitos envolvidos no processo educativo.
Nesse sentido, Coll e Monereo (2010) destacam a relevância da chamada Triangulação Interativa no contexto escolar, entendida como a relação estabelecida entre professor, aluno e conteúdo, mediada pelas TICs. O potencial transformador das tecnologias digitais reside justamente em sua capacidade de mediar essas relações no triângulo interativo, evidenciando a importância da intencionalidade pedagógica para a inovação educativa, bem como a capacidade de professores e alunos de se apropriarem desses recursos para a promoção de uma aprendizagem significativa, profunda e autônoma.
O uso meramente instrumental das tecnologias digitais no ensino manifesta-se, sobretudo, quando os recursos são utilizados apenas como repositórios de arquivos e documentos. Pimentel e Carvalho (2020) contribuem para essa discussão ao diferenciarem Educação a Distância e Educação Online. Enquanto a primeira se caracteriza por ambientes virtuais que reproduzem o modelo tradicional e transmissivo de ensino, a Educação Online configura-se como uma abordagem didático-pedagógica que articula um conjunto de ações de ensino e aprendizagem em interfaces digitais, potencializando práticas de comunicação, interatividade e hipertextualidade. Nessa perspectiva, a Educação Online favorece a aprendizagem colaborativa, por meio da conversação entre alunos e professores e da mediação ativa do docente, fundamentando-se na concepção de conhecimento como algo passível de ressignificação e cocriação contínua, em um processo dinâmico e inacabado.
No que se refere à avaliação, os autores ressaltam a necessidade de práticas avaliativas orientadas por uma perspectiva formativa e contínua, cujo foco não esteja centrado na aprovação ou reprovação discente, mas no acompanhamento e na promoção da consciência dos estudantes acerca de seus próprios processos de aprendizagem. Ademais, para que o direito à inclusão digital seja efetivamente garantido, Pimentel e Carvalho (2020) enfatizam a importância de políticas públicas que assegurem o acesso equitativo às tecnologias para todos os alunos.
Pierre Lévy (1999) define interatividade como a “capacidade de o usuário modificar a mensagem ou o ambiente virtual em tempo real” (p. 81), o que pressupõe uma participação consciente e ativa do sujeito. Para o autor, a cibercultura caracteriza-se como um “universo sem totalidade”, isto é, um espaço no qual informações, máquinas e seres humanos se interconectam em uma rede planetária de comunicação aberta.
Koehler (2013) destaca-se como uma referência fundamental ao discutir como os professores constroem os conhecimentos necessários para integrar, de forma articulada, tecnologia, conteúdos curriculares e estratégias pedagógicas. De modo complementar, o modelo SAMR, desenvolvido por Ruben Puentedura, apresenta-se como um framework que evidencia os diferentes níveis de impacto das tecnologias no ensino e na aprendizagem, tendo como conceito central o grau de engajamento e protagonismo do aluno.
Por fim, a partir das leituras realizadas, compreende-se que as tecnologias, por si só, não são capazes de promover impactos positivos e significativos no ensino. Torna-se imprescindível a existência de políticas institucionais que fomentem a formação continuada dos professores para o uso pedagógico das tecnologias digitais, bem como estratégias que incentivem a participação ativa e o engajamento consciente dos alunos nas práticas didático-pedagógicas, de modo a potencializar processos de ensino e aprendizagem mais significativos.
REFERÊNCIAS
KOEHLER, M. J.; MISHRA, P.; CAIN, W. What is Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK)? Journal of Education, 2013. Disponível em: https://www.matt-koehler.com/publications/Koehler_et_al_2013.pdf.
SIEMENS, G. Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning, 2005. Disponível em: https://auspace.athabascau.ca/bitstream/handle/2149/2867/Connectivism%20-%20Connecting%20with%20George%20Siemens.pdf.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo: Editora 34, 1999. (Capítulos 4 e 6).
PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, 23 maio 2020. Disponível em: https://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/principios-educacao-online/.

Olá Larissa! Estamos esperando a sua linha do tempo, proposta por vocês no novo PBL. Lembre-se que tem que ter ao menos duas publicações em seu blog, semanalmente!
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