AQUISIÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA: conexões com as tecnologias digitais
AULA 1 - PARTE 2 (MAPA CONCEITUAL)
Na tentativa de fazer conexões entre as evidências científicas da neurociência, relativo ao processo de aquisição da leitura e da escrita, e as tecnologias digitais.
A leitura e a escrita constituem atividades humanas complexas, uma vez que os seres humanos não são biologicamente programados para realizá-las. Nesse sentido, os estudos da Neurociência da leitura indicam que essas habilidades são resultado de processos de aprendizagem que dependem de ensino explícito e sistemático. De acordo com Stanislas Dehaene, a alfabetização promove a reorganização de circuitos neurais previamente destinados a outras funções cognitivas, possibilitando a ativação de áreas cerebrais específicas responsáveis pelo reconhecimento das letras, das palavras e pela compreensão da linguagem escrita.
Sob a perspectiva histórico-cultural de Lev Vygotsky, Pimentel (2015) afirma que a linguagem e o aprendizado desempenham papéis centrais no desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Para o autor, a aquisição do conhecimento ocorre por meio da interação entre sujeito e ambiente, mediada socialmente, possibilitando que o indivíduo avance daquilo que já sabe para novas aprendizagens. Dessa forma, o desenvolvimento cognitivo está diretamente relacionado às experiências sociais e às mediações pedagógicas que favorecem a construção do conhecimento.
Nesse processo, as estruturas cerebrais sofrem modificações em decorrência da aquisição de novas aprendizagens (Pimentel, 2015). Isso ocorre porque o cérebro estabelece novas conexões neuronais — as sinapses — que possibilitam o desenvolvimento de habilidades e a apropriação de novos conhecimentos. Essas transformações são possíveis graças à neuroplasticidade, entendida como a capacidade do cérebro de modificar e reorganizar suas estruturas em resposta aos estímulos recebidos. Conforme Dehaene (2020), a neuroplasticidade não deve ser compreendida como um processo espontâneo ou ilimitado, mas como um mecanismo biológico estruturado que depende da qualidade e da frequência dos estímulos para se consolidar.
A partir dessa perspectiva, Dehaene (2020) propõe que a aprendizagem humana se apoia em quatro pilares fundamentais: atenção, engajamento ativo, feedback de erro e consolidação. A atenção permite que o cérebro selecione informações relevantes para o processamento; o engajamento ativo envolve a participação do aprendiz na construção do conhecimento; o feedback de erro possibilita ajustes cognitivos por meio da correção de equívocos; e a consolidação fortalece as aprendizagens por meio da repetição, do descanso e do sono. Assim, compreender os mecanismos cerebrais envolvidos na aprendizagem contribui para a elaboração de estratégias didático-pedagógicas mais eficazes.
No contexto contemporâneo, marcado pela presença da cultura digital, as formas de aprender também se transformam. Pimentel (2015) destaca que a interação com tecnologias digitais possibilita novas maneiras de acesso e construção do conhecimento. Diferentes estímulos provenientes desses ambientes podem influenciar os processos cognitivos, modificando as formas de pensar e, consequentemente, as estruturas cerebrais (PRENSKY, 2012b apud PIMENTEL, 2015).
Nesse cenário, o letramento digital assume papel fundamental, pois envolve a apropriação das tecnologias digitais aliada ao desenvolvimento de práticas de leitura e escrita mediadas por esses recursos. Assim, torna-se necessário desenvolver estratégias pedagógicas que dialoguem com o contexto sociocultural dos estudantes. Conforme afirma Pimentel (2015, p. 76), “na cultura digital, as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) podem ser utilizadas para o desenvolvimento de estratégias cognitivas ou metacognitivas no processo de ensinagem, estando diretamente relacionadas às formas de uso pedagógico dessas tecnologias”.
Além disso, aspectos como a repetição e a diversidade de estímulos também contribuem para o fortalecimento das aprendizagens. Quanto maior o contato do indivíduo com diferentes informações e experiências, mais eficiente tende a ser o processamento cognitivo (PIMENTEL, 2015). Dessa forma, o uso de variadas estratégias pedagógicas em sala de aula amplia as possibilidades de construção do conhecimento, favorecendo o desenvolvimento das habilidades cognitivas dos estudantes, especialmente das crianças que já crescem inseridas em contextos permeados pela cultura digital.
REFERÊNCIAS
DEHAENE, Stanislas. É assim que aprendemos: por que o cérebro funciona melhor do que qualquer máquina (ainda…). São Paulo: Contexto, 2020.
PIMENTEL, F. S. C. P. Jogos Digitais, inovação e ensino na Saúde. In.: PIMENTEL, F. S. C.; SILVA, A. P. (Orgs.). Tecnologias digitais e inovação em educação: abordagens, reflexões e experiências. São Carlos: Pedro & João Editores, 2023. p. 23-42. Disponível em: https://arquivos.pedroejoaoeditores.com.br/wp-content/uploads/2022/12/03170224/EBOOK_Tecnologias-digitais-e-inovacao-em-educacao.pdf Acesso em: 9 mar. 2026.
PULIEZI, Sandra. Método das onomatopeias. São Paulo: Instituto Ler+, 2022.
Disponível em: https://institutolermais.com.br/metodo-das-onomatopeias/. Acesso em: 2 jul. 2025.

Olá Larissa. Sentimos sua falta na aula passada. Não ouvi seu podcast. onde ele foi postado? Está acompanhando o blog da disciplina? Está realizando as leituras sobre o novo PBL? Está elaborando o seu diagrama de Ishikawa? A partir de suas leituras e construção do diagrama de Ishikawa, busque identificar que teorias podem sustentar a incorporação de tecnologias no ensino.
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